9/26/2006

Base de dados - MARTE

Marte: português cria maior base de links de imagens do mundo

Um cientista do Instituto Geofísico da Universidade de Coimbra criou a base de dados de ligações de acesso a imagens de Marte mais completa do mundo, numa contribuição para o estudo dos processos geológicos marcianos.
O MIMS (Mars Image Mining System), um sistema único no mundo, resultou de uma longa pesquisa, tratamento e reconversão de dados, e reúne mais de 300 mil imagens do «planeta vermelho», disse hoje à Lusa o professor Ivo Alves, que liderou todo o processo de construção.

Os links para as imagens, recolhidas nos servidores das agências espaciais e captadas nas missões realizadas até agora pelas naves Mariner 9, Viking 1 e 2, Mars Global Surveyor, Mars Odissey e Mars Express, estão disponíveis nos ite do Instituto Geofísico (www.uc.pt/iguc), precisou Ivo Alves.

«Trata-se de 35 anos de imagens que, se estivessem impressas, encheriam a Torre do Tombo e ainda faltaria espaço», comentou este docente de Geofísica no departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Instituto Geofísico.

O trabalho desde geólogo, que contou com a colaboração do estudante de doutoramento David Vaz, consistiu em recolher os índices das imagens nos índices dos servidores de agências como a NASA e a ESA e uniformizá-los num software de formato consistente, explicou.

Ao consultar o MIMS, com base em critérios como definição de imagem, coordenadas geográficas ou nome do local, o utilizador dispõe de uma ferramenta que lhe permite aceder simultaneamente a dados de várias missões e avaliar a evolução (de 1971 a 2005) da geodinâmica externa em Marte, o que constituiu o principal motivo da criação do sistema, salientou.

Assim, será possível procurar imagens do mesmo local captadas por missões diferentes, podendo estudar-se, por exemplo, a evolução no tempo dos processos geológicos de superfície, como o aparecimento de água, a formação de crateras ou a evolução de campos de dunas.

«O projecto demorou quase dois anos a concretizar e está em constante actualização, à medida que forem chegando novos dados», disse Ivo Alves.

«As últimas imagens do site são de Dezembro de 2005, mas serão feitas actualizações até finais de 2006», acrescentou.

Um artigo sobre este projecto está publicado na edição online da revista Computers & Geosciences, da Associação Internacional para a Geologia Matemática, devendo em breve publicado na edição impressa.

Diário Digital / Lusa

26-09-2006 12:58:09